Quando Zac retornou, dez minutos depois, ainda estava sentada no mesmo lugar, o telefone pendurado nos dedos.
- Então? - ele perguntou. Ela balançou a cabeça.
- Não consigo linha. Não há sinal disponível. Deve ser por causa da montanha. - Ela olhou ao redor. -Deve haver algum telefone em algum lugar.
- Só na cidade. - Ele sacudiu os ombros. - Jared e Ashley preferem ficar sozinhos aqui, sem interrupções.
A palavra "sozinhos" pareceu ressoar em sua mente como um dobre de sinos. E, de repente, ocorreu-lhe que sempre que ela e Zac estiveram juntos, houvera empregados ou pessoas por perto.
Agora, pela primeira vez, estavam apenas os dois. E ocupando um espaço relativamente pequeno.
Zac estava rondando pela casa, inspecionando tudo, olhando os livros e os enfeites nas prateleiras. Ele pegou a tigela com a sopa fria e olhou em desagrado.
- Isso era para ser o jantar?
- O meu, sim - ela disse. - Não estou com muita fome.
- Mas eu estou. O que mais tem para comer?
- Você realmente acha que eu vou cozinhar para você?
Ele disse calmamente:
- Você ainda é minha esposa, mia cara. A maioria das mulheres cozinha para seus maridos, ou você não ouviu falar disso? - Ele silenciou e provocou em seguida: - Mas talvez você seja desprovida de dotes culinários.
Ela falou, indignada:
- Todo mundo na minha escola aprendeu a cozinhar. As freiras insistiam.
- Ah, as freiras - disse Zac refletidamente. - Isso explica muita coisa. Mas, pelo menos, alguns aspectos de sua educação receberam atenção.
Vane levantou o rosto.
- E o que isso quer dizer?
- Não importa. Tem ovos? Talvez pudesse preparar uma simples omelete?
- Poderia - disse ela. - Mas por que faria isso?
- Porque um homem precisa conduzir negociações de estômago cheio. E nós vamos negociar, não?
Ela pegou a sopa intocada da mão dele e foi para a cozinha, jogando-a na pia.
Encheu a chaleira e colocou água para ferver. Havia saquinhos de chá e um pote de café instantâneo no pacote de boas-vindas.
Encontrou uma frigideira, colocou uma colher de manteiga e posicionou-a no fogão para aquecer lentamente. Estava quebrando os ovos em uma tigela quando Zackary entrou.
Ela não olhou para ele.
- Você me dá licença. Esta cozinha é muito pequena.
- Vim para lhe trazer isto. - Ele colocou um pacote no pia ao lado dela.
Mortificada, Vane reconheceu uma marca cara de café moído. Ela disse friamente:
- Você pensa em tudo, signore.
- Preciso, caríssima. - Ele esticou um braço comprido e pegou uma caixa de uma prateleira, onde havia uma cafeteira. - Não tem máquina de café expresso, mas esta serve.
Ela lavou-a e colocou o pó de café.
- Você quer dois ou três ovos? - Vane perguntou, acrescentando tempero.
- Quatro - ele disse. - Preciso manter a força, você não concorda, minha adorável esposa?
Pega de surpresa, ela virou o rosto imediatamente, encarando-o.
- O quê?
A boca curvou-se ironicamente.
- Simplesmente que se continuar a nevar assim vou ter de nos desenterrar. O que mais poderia ser? - ele acrescentou laconicamente. - E sua manteiga vai queimar. - E ele voltou para a sala.
Rangendo os dentes, ela tirou a frigideira e colocou uma fatia de pão na torradeira. Encheu a cafeteira e levou a louça e os talheres para a sala.
Zac estava descansando no sofá, olhando fixamente para o fogo da lareira.
- Você percebeu que não tem televisão, nem fax, nem computador aqui?
- Você acha isso um problema? Ela sacudiu os ombros.
- Não é o ambiente luxuoso ao qual você está acostumado. Você não pode medir o pulso do mercado financeiro daqui.
- Oh! Acho que o paciente pode viver sem mim.
- Mas e você? Pode viver sem o paciente?
- Por um tempo, com certeza. - Ele esticou-se indolentemente. - E vai ser bom relaxar de verdade.! Não acontece com freqüência.
- Você se esqueceu das negociações.
- Não me esqueci - ele respondeu, e voltou sua observação para o fogo.
Ela retornou à cozinha, bateu os ovos com um garfo e colocou-os na frigideira. Quando ficou pronta, dividiu a omelete em duas porções, dando a Zac a parte do leão.
- Está excelente - ele comentou depois da primeira garfada. - Você tem talentos secretos, mia cara.
Ela manteve os olhos fixos no prato.
Indiferença, ela pensou, era seu objetivo.
Quando a refeição terminou, ela recusou a ajuda dele para lavar a louça. A idéia de Zackary com um pano de prato nas mãos era absurda, ela concluiu. E o mais importante era que a cozinha era pequena demais para divisão de tarefas. Especialmente com ele.
Comentem!!!